
Tradução: Camila Fernandes | Páginas: 208 | Editora: Suma de Letras
Sinopse: O Império Dalek não para de se expandir, e batalhas eclodem em vários sistemas solares. Quando o futuro da galáxia está em jogo, o Doutor se vê a bordo de uma nave próxima à linha de frente, junto a um implacável grupo de caçadores de recompensas.
O Comando da Terra paga a eles por cada Dalek morto, por cada olho entregue como prova. Mas, com a ajuda do Doutor, os caçadores conseguem algo de valor inestimável: um Dalek inteiro, vivo, com os sistemas desarmados e pronto para ser interrogado. No entanto, com os Daleks nada é o que parece e ninguém está a salvo. Quando o jogo virar, como o Doutor sobreviverá ao se tornar prisioneiro de seu maior inimigo?
Acho que já ficou um pouco óbvio pra quem acompanha o blog, pela quantidade de resenhas e reviews, que eu sou só um pouquinho viciada em Doctor Who.
O prisioneiro dos Daleks é o sexto livro derivado da série britânica de ficção-científica publicado no Brasil. Sendo assim, não foi o primeiro livro do Universo Whoque eu li, nem tão pouco foi a primeira vez que pude ver o 10th Doctor, interpretado na TV por David Tennant, protagonizando as páginas de um livro (ele apareceu antes em “12 Doutores, 12 Histórias”). Mas diferentemente da primeira aventura literária, onde o Doctor está acompanhado de Martha, em O prisioneiro dos Daleks temos uma aventura solitária, que se passa próxima aos últimos momentos do 10th, após a saída de Donna Noble de sua vida.
Quem já assistiu qualquer uma das temporadas sabe que o Doctor viajar sozinho nunca é uma boa coisa. Ainda mais nesse momento específico que, na minha opinião, é o mais sombrio de toda a série.

A TARDIS sai da sua rota programada (nada de novo sob o sol) e acaba parando em Hurala, um planeta vazio e sinistro, que antes servia como um posto de abastecimento para quem passava por ali. É interessante notar o paradoxo existente aqui: o planeta existe em uma linha temporal em que os Daleks ainda não haviam descoberto a viagem no tempo, ou seja, a Time War ainda não tinha acontecido.
A trama acontece mais precisamente no Século 26, onde ocorre a Segunda Guerra Dalek, especificamente contra o Grande Império Humano. Esta Segunda Guerra já foi explorada em arcos do Terceiro Doutor, uma história muito rica de detalhes e super interessante pra quem quer ver mais sobre os Saleiros Assassinos.
Embora à essa altura o Doctor já tenha enfrentado os Daleks mais de uma vez, os Senhores do Tempo não costumavam intervir em situações deste tipo. Ou seja, a possibilidade de criar um paradoxo voltando na sua própria linha do tempo seria enorme.
Em poucos segundos, a chave de fenda sônica invadiu o sistema adormecido do terminal de computador. Um minuto depois, a tela, ativada, banhou o rosto do Doutor com uma luz fria. Surgiu nela um gráfico difuso e trêmulo: BEM-VINDO À ESTAÇÃO LODESTAR 479
Após ficar preso por uma armadilha na Estação Lodestar, o Doctor é resgatado pela tripulação de uma nave chamada Peregrina, o que não se esperava é que esta nave fosse tripulada por humanos, humanos Caçadores de Daleks. Em sua fuga da estação abadonada, os caçadores de recompensas (que normalmente recebem por cada olho de Dalek que levarem), conseguem capturar um Dalek inteiro e vivo!
O Doctor obviamente sabe que a situação é perigosíssima e que eles deveriam se desfazer do Dalek o mais rápido possível, mas os humanos, ambiciosos como são, optam por manter o prisioneiro. A situação rapidamente se inverte e o Doctor, juntamente com os tripulantes da Peregrina, passam a ser prisioneiros dos Daleks.

Diferentemente da série de TV, o livro é bastante pesado. A série, por ser tão clássica e presente no ambiente familiar, acaba se tornando por vezes até mesmo infantilizada. Saleiros Gigantes com vozes engraçadas e que tem como arma um desentupidor de pia? Nem mesmo Bill, a nova companion do 12th Doctor, consegue levá-los à sério.
Mas por trás da aparência caricata, Daleks são mutantes xenofóbicos incapazes de ter qualquer sentimento para além do ódio. Além dos monstrinhos odiosos, o livro também lida com assuntos como tortura, escravidão e sofrimento, de uma forma pesada, porque Daleks não são de brincadeira.
Não vou falar muito mais sobre a história, afinal é após este ponto que ela começa a se desenvolver efetivamente. Falando um pouco sobre os personagens, Stella,Scrum, Vanguarda, Capitão Bowman e Koral são os parceiros do Doutor nesta aventura. Os tripulantes da Peregrina são bastante bem escritos, com personalidade própria e muita profundidade. Apesar disso, o livro segue a fórmula básica para as aventuras solo do Senhor do Tempo, inicialmente ninguém confia nele, mas após algum acontecimento, geralmente fatal, os personagens amadurecem e não tem outra escolha a não ser confiar nos planos do Doctor, mesmo que ele não tenha um.
Apesar de seguir a fórmula, os personagens são extremamente bem desenvolvidos e conseguem cativar o leitor; você se importa com todos eles. A única parte em que o livro deixa um pouco a desejar é na descrição dos cenários, mas o livro tem tanta ação e você fica tão ansioso pelos próximos acontecimentos, que mal se liga nisso.

A edição da Suma de Letras, como sempre, ficou muito caprichada. Bem revisada, com um acabamento ótimo e uma tradução excepcional. Um detalhe que enriquece muito a experiência de leitura é a diferenciação da fonte utilizada para os diálogos dos Daleks. Toda a diagramação é bem acertada e a página amarelada faz com que a leitura seja ainda mais confortável.
Se você está na dúvida se vai ler ou não, porque não conhece a série, não tem problema. Sem dúvida a experiência se torna ainda mais rica caso você conheça a história, mas dá pra entender perfeitamente o contexto mesmo sem ter assistido um episódio sequer. O único problema é que você vai querer sair correndo para assistir quando acabar de ler!
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